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HC de Parauapebas (PA) tem 70% de pacientes recuperados da Covid-19 com técnicas de fisioterapia

09/09/2020

Fisioterapeutas são responsáveis pela recuperação da parte mais agredida pela Covid-19, o pulmão; reeducação respiratória e trabalho multiprofissional humanizado conduzem tratamentos

Em meio à tecnologia, conhecimento e dedicação, profissionais da saúde atuam para salvar vidas afetadas pelo novo coronavírus. Diante das equipes multidisciplinares, a fisioterapia exerce atividade essencial e, em muitos casos, invisível. A especialidade tem presença importante para o tratamento da Covid-19 tanto na fase inicial quanto nos períodos mais graves da doença. Profissionais trabalham com objetivo de mobilizar secreções, melhorar oxigenação do sangue e reeducar a função respiratória.

Daiara Noleto Alves está à frente da equipe de fisioterapia do Hospital de Campanha de Parauapebas e decidiu ingressar na linha de frente do combate ao coronavírus por ter experiência em tratar pacientes com Covid-19 em UTI. “Vi uma oportunidade maior de ajudar as pessoas porque sabia que seria um hospital de grande porte e estaria a postos para tratar a população. Fiquei deslumbrada com o tamanho e a forma como seria feito o trabalho e já comecei a trabalhar desde os primeiros dias conhecendo os aparelhos e me familiarizando com toda a equipe”, contou.

No HC, que teve aporte da Vale e mantém gestão do Instituto Acqua em parceria com a Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), há quatro profissionais de fisioterapia que atuam em plantões. O fisioterapeuta do plantão é responsável por todos os blocos e pacientes, porém o médico avalia e decide junto ao fisioterapeuta qual protocolo será necessário para cada paciente.

Pacientes que chegam ao Hospital de Campanha com dificuldades respiratórias iniciam protocolo com a VNI (Ventilação Não Invasiva), uma máscara acoplada ao rosto do paciente que realiza tratamento respiratório por no mínimo duas horas. Segundo a responsável pela equipe de fisioterapia, são traçados protocolos de atendimento, do mais leve ao mais grave, e logo após os procedimentos a maioria dos pacientes consegue receber alta. “Conseguimos perceber o tanto que o nosso trabalho é importante neste tratamento. Fazemos a diferença para uma vida e uma família, é muito bom você receber aquele paciente e devolver ele para o lar, saudável e estável”, contou Daiara.

Após avaliação de cada paciente, os médicos – em conjunto com fisioterapeutas – decidem a necessidade de aplicar a VNI de uma a três vezes ao dia dependendo do grau de acometimento pulmonar. Outro procedimento realizado é a fisioterapia respiratória livre, com 5 ou 6 exercícios em série. Às vezes só o ato de caminhar já melhora a saturação respiratória do paciente. Em outros momentos é necessário exercício com bastão, de respiração forçada ou estímulo de tosse, e, de acordo com a evolução do quadro, o próprio fisioterapeuta reavalia o paciente três vezes ao dia e decide a melhor conduta para ele nos dias seguintes.

No HC todos trabalham com diálogo junto aos internados, conversando sobre os procedimentos que serão realizados, as medicações utilizadas e questionando sempre como o paciente está se sentindo. Essa humanização é importante para a recuperação e marca da gestão do Instituto Acqua.

Para a fisioterapeuta, um momento marcante no HC foi a situação de um paciente que estava estável, mas com índices baixos de oxigenação e saturação. Neste caso, ela decidiu fazer a VNI e explicou ao paciente todo tratamento, pois neste método há uma máscara que aperta o rosto para ficar bem fixa. Ele fez a terapia por duas horas, e depois relatou alívio. Daiara contou que quando foi ao leito soube que ele tinha conseguido ir sozinho para o banho. E quando voltou verificou que a saturação já estava em 96, ou seja, melhor do que antes da fisioterapia. “Fiquei muito feliz porque conseguimos evoluir ele rapidamente só com resultados no primeiro dia de fisioterapia”, comentou.

O paciente em questão é Everton Ribeiro, 38 anos. Em depoimento ele destacou que o período de internação no HC foi muito significativo, e ficou surpreso com a qualidade do atendimento. Após o terceiro dia de internação – quando começou a fazer as técnicas de respiração usando a VNI -, percebeu a importância da fisioterapia, fundamental para aumentar a saturação. “Quando recebi a notícia da alta após a fisioterapia, fiquei muito surpreso. Quase chorei de felicidade, agradeci demais as fisioterapeutas e toda equipe do HC que me atendeu e ajudou muito a voltar a respirar normalmente”, descreveu.

De acordo com os fisioterapeutas, mesmo após a alta, dependendo do grau de acometimento, ficam sequelas e cicatrizes da doença, então o paciente precisa ter acompanhamento de fisioterapia. No HC é aconselhado que todos os exercícios feitos durante a internação sejam realizados em casa, mas o paciente também recebe a assistência para procurar uma clínica ou os programas de tratamento público de fisioterapia para fortalecer o pulmão.

Também é aconselhável voltar às atividades gradativamente, porque o pulmão não está pronto para recomeçar tão rápido a rotina. “É muito importante dar continuidade no tratamento mesmo fora do hospital. Não são todos que precisam, mas quando se teve um comprometimento grande do pulmão, é necessário fazer os exercícios por mais tempo em casa, para que não apareçam sequelas no futuro”, destacou Daiara.

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