Atividades lúdicas e inclusivas marcam Dia Internacional da Síndrome de Down na Casa de Apoio Ninar em São Luís (MA)

23 de Março de 2018

Vasta programação envolveu 18 crianças e familiares assistidos pela unidade em confraternização com a equipe profissional

Histórias de amor de quem tem um cromossomo a mais. A Casa de Apoio Ninar, gerenciada pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES), coleciona muitas delas, celebradas durante a Semana Especial de Down, entre 19 e 23 de março. A unidade preparou uma extensa programação de atividades, que tiveram como ponto alto o Dia Internacional da Síndrome de Down, lembrado nesta quarta-feira (21/3). O dia contou com musicoterapia, oficina de culinária, atividades recreativas, modelagem de balões e exposições, e reuniu crianças com Síndrome de Down e seus familiares na Casa de Apoio. Ao longo da semana, todas receberam também atendimento médico especializado.

“O projeto Ninar abriu as suas portas durante toda esta semana em homenagem ao Dia Internacional da Síndrome de Down, e estamos felizes porque está sendo comemorado com grande alegria e casa cheia de crianças. Essa é uma das síndromes mais bem aceitas pela sociedade e, por isso, as crianças conquistaram seu espaço em termos de inclusão, mostrando do que são capazes e para que vieram. Elas e suas famílias servem de exemplo para todas as outras que estão descobrindo algum tipo de distúrbio neuropsicomotor para que pensem: eu sou capaz”, destacou a neuropediatra e diretora da Casa de Apoio Ninar, Patrícia Sousa.

Para Lucélia Almeida, mãe da Luna, esta semana representa uma oportunidade de avançar no desenvolvimento da filha, que esteve hospitalizada durante três meses. “Estou gostando de tudo, principalmente do atendimento completo que as crianças recebem. Esta semana é ótima”, afirmou Lucélia.

A tarde do dia 21 começou com oficina de culinária, que integra o projeto Cozinha Amiga. As mães, acompanhadas pelos filhos, aprenderam a preparar tortilha e suco especial de frutas. No final, todos receberam certificados e experimentaram as delícias preparadas. “Estamos apenas começando. O nosso projeto conta com mais de 100 receitas e vamos ensinar todas elas com muito amor”, afirmou o oficineiro e formando de Gastronomia, Carlos Matos.

Na área externa da Casa de Apoio, a desenhista industrial, escritora e pesquisadora Sharlene Serra expôs seus livros paradidáticos. Neles, os protagonistas são crianças com algum tipo de deficiência. A estrela do dia foi ‘Aprendendo com Biel’, em que o principal personagem tem Síndrome de Down. “A estória trabalha a questão do preconceito como consequência da falta de informação”, explicou a autora.

A artista plástica Marina Gondim, 34 anos e com paralisia cerebral, expôs seus quadros em técnica livre. Sua trajetória no mundo dos pincéis começou na infância e deu origem a dezenas de exposições na Capital maranhense.

Para completar a programação, o professor de música Paulo Santos cantou cirandas com a marcação de um bongô (instrumento de percussão) e das palmas. O momento reforçou a importância da musicoterapia para o neurodesenvolvimento e integração social.

Acertando o passo – A data também foi marcante para a pequena Ester, 2 anos, que recebeu uma órtese da Casa de Apoio Ninar. O dispositivo, semelhante a um pequenino par de botas, vai auxiliar no posicionamento e movimentos dos membros inferiores.

A entrega foi realizada pela diretora do Instituto Acqua e coordenadora das unidades do Maranhão, Paula Assis, e muito comemorada pela mãe de Ester, Samírian Fonseca. “Com a órtese vai ser feita a correção da pisada, porque os pezinhos fazem passos tortos. Como ela gosta de ficar em pé, vai ajudar muito”, afirmou Samírian.

“Esse dispositivo de posicionamento e locomoção foi disponibilizado para todas as crianças que fazem acompanhamento na Casa de Apoio Ninar. Como elas têm uma alteração neurológica, que acarreta um desequilíbrio muscular, o recurso evita uma futura deformidade”, concluiu a terapeuta ocupacional Valéria Souza.

 

Fotos: Raquel de Freitas / Edgar Rocha