Casa de Apoio Ninar completa trinta dias de assistência às famílias

10 de Agosto de 2017

Ao longo de um mês, o local ofereceu atendimentos especializados e atividades para resgatar o vínculo da família com o bebê

Em funcionamento há trinta dias, a Casa de Apoio Ninar tem ampliado a assistência no tratamento às famílias de crianças com doenças que afetam o neurodesenvolvimento. Transformada em um ambiente familiar, a antiga Casa de Veraneio do Governo do Estado atendeu 35 famílias de todas as regiões do Maranhão desde a sua inauguração, em 4 de julho. Além do tratamento convencional com médicos especialistas e a equipe multidisciplinar, a Casa de Apoio resgata o vínculo da família com o bebê por meio de oficinas terapêuticas e diversas ações.

Ao integrar o grupo acolhido na terceira semana de funcionamento da Casa de Apoio, Geila Kateane Rodrigues, 23 anos, moradora de São Luís, afirmou que as ações são importantes no tratamento do filho. “O meu filho Arthur gostou das atividades com música. Até meu outro filho se divertiu muito. Os profissionais foram gentis e nos trataram muito bem. Vi consultas novas como a fisioterapeuta respiratória e sei que isso vai ajudar muito”, comentou.

Cristiane Moraes da Conceição, mãe da Maria Eduarda, que participa das atividades nesta semana, destacou o incentivo dos profissionais para os ensinamentos durante os atendimentos. “Tudo aqui na Casa é muito bom. Já passamos na reabilitação e falamos com a fonoaudióloga. Aqui o mais importante é que a equipe multiprofissional não apenas examina, mas ensina a fazer. Tenho certeza que será um grande ganho para ela”, detalhou a moradora do bairro Maracanã, zona rural de São Luís.

Famílias de São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa, na região metropolitana da Capital maranhense, e de Lima Campos, Codó, Santa Luzia do Paruá e Paraibano já foram acolhidas na Casa de Apoio Ninar. Acompanhando os familiares dos pacientes, uma equipe de profissionais dos municípios também participa das atividades durante a semana em que a família permanece no local. Após o período de capacitação, os profissionais retornam aos municípios e implantam os Ninhos de Cuidados, reproduzindo a vivência adquirida na Casa.

Balanço – Nos primeiros trinta dias de funcionamento, a Casa de Apoio realizou 1.068 atendimentos multidisciplinares, 222 consultas com várias especialidades médicas e 39 exames, entre eles o de vídeo EEG (eletroencefalograma), que mapeia e monitora toda a parte elétrica do cérebro. No local, o exame conta com uma inovação: todo o procedimento é filmado, o que permite ao neuropediatra identificar também o comportamento físico do bebê durante alguma crise convulsiva, caso ela ocorra, e ainda exames de mapeamento da retina.

Coordenadora clínica da Casa de Apoio, a neuropediatra Patrícia Sousa avaliou o primeiro mês de atividades como positivo. “Estamos muito felizes pelos quatro grupos de famílias que já passaram pelas áreas de vivência da Casa. A missão desse local é oferecer suporte para essas famílias para que, ao retornar às suas casas e cidades, elas possam reproduzir o que aqui foi vivenciado. Nesse período temos sempre, ao final de cada semana, um retorno positivo e um sentimento de gratidão pelo apoio dado”, relatou.

A fonoaudióloga Patricia Trinta considerou que os objetivos da unidade foram alcançados nesse período. “Conseguimos fazer com que as mães tivessem um olhar mais maternal em relação aos cuidados com o filho, retirando o foco da patologia. As famílias são muito participativas e estão sempre querendo aprender. Neste ciclo optamos por orientações em questões relacionadas à alimentação, postura, consistência do alimento, como ofertar e o comportamento após essa oferta”, contou.

Além da fonoaudiologia, o local oferece consultas com infectopediatra, pediatra e neuropediatra e atendimentos com assistente social e psicólogos.

Oficinas – Entre as atividades relacionadas às práticas integrativas estão a arteterapia e oficinas de culinária Cozinha Amiga, inseridas no tratamento. Com a oficina Cozinha Amiga, as mães aprendem a produzir biscoitos e bolos. A ideia é despertar o empreendedorismo para que, ao retornar às suas casas, elas possam confeccionar os produtos e adquirir uma renda extra, além de presentear filhos e familiares com as guloseimas.

Sempre no período da tarde é realizada a oficina de musicoterapia, onde as mães e os bebês participam de um momento lúdico e de fortalecimento dos laços afetivos entre mães, pais e crianças.