Centro Ninar e Casa de Apoio atingem cerca de 150 mil atendimentos em 2018

09 de Janeiro de 2019

Ações de municipalização, novos serviços e parceria com instituições de pesquisa tornam Centro Ninar e Casa de Apoio referência em atendimento especializado

Em 2018, o tratamento de crianças com problemas de neurodesenvolvimento no Maranhão avançou com a aquisição de equipamentos, inauguração do ambulatório de especialidades em epilepsia e o reconhecimento de especialistas sobre o trabalho desenvolvido na Casa de Apoio Ninar e no Centro de Referência em Neurodesenvolvimento, Assistência e Reabilitação de Crianças (Ninar), unidades gerenciadas pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde (SES). Juntas, elas realizaram mais de 150 mil atendimentos.

O Centro Ninar funciona em área do Complexo Materno-Infantil Dr. Juvêncio Mattos e as consultas são realizadas por agendamento. Na unidade são realizados diagnósticos, exames e tratamentos de síndrome de Down, síndromes raras, paralisia cerebral por anoxia, paralisia cerebral com microcefalia por infecção congênita, incluindo Zika Vírus, rubéola e toxoplasmose.

O tratamento é complementado com acompanhamento multiprofissional na Casa de Apoio Ninar, que foi criada para ser um ambiente de reestruturação emocional e econômica das famílias atendidas, com ações a longo prazo e acolhimento especial às mães, ressignificando a relação com as crianças e estimulando a prevenção, assistência e empreendedorismo.

“Mais famílias estão tendo a oportunidade de garantir o tratamento dos seus filhos em unidades de saúde equipadas com tecnologia de qualidade, aliadas com o atendimento humanizado e atenção direcionada para além da patologia, tornando as crianças sujeitos de direitos e protagonistas do laço afetivo que une as famílias. O número de atendimentos representa o reconhecimento desse trabalho”, destacou a diretora do Instituto Acqua, Paula Assis.

Para a diretora da Casa de Apoio Ninar, Patrícia Sousa, uma das metas para 2019 é alcançar um quarto dos municípios maranhenses. “A ideia é ampliar os ciclos de vivências desenvolvidas na Casa para que os municípios criem seus próprios espaços de acolhimento, dando continuidade às práticas de reabilitação e apoio familiar, diminuindo o tempo de permanência das famílias na Capital e também pela dificuldade que é o deslocamento de muitas delas”, explicou.

Ao todo, já foram atendidas pela Casa de Apoio crianças de 102 cidades entre as 217 de todo o Estado, incluindo os exames e atendimentos ambulatoriais. Os ciclos de vivência reúnem semanalmente entre 15 a 20 famílias. Metade do grupo é do interior, ficam hospedados na casa e participam de diversas etapas de estímulo com nove circuitos sensoriais multidisciplinares. Agentes municipais de saúde que participam dos encontros são orientados sobre como conduzir as atividades nos municípios de origem.

Com quase 47 mil atendimentos realizados em 2018, o Centro Ninar somatizou 700 pacientes atendidos com microcefalia, 6.135 consultas médicas, 28 mil consultas multiprofissionais além de quase 8 mil exames realizados. Já a Casa de Apoio contabilizou 11,4 mil consultas, 67 mil atendimentos multiprofissionais e 1.839 exames. 

Cozinha Amiga – No decorrer do ano, as famílias que passam pela Casa de Apoio Ninar também tiveram participação intensa nas atividades do projeto Cozinha Amiga, que contempla oficinas e criação de cardápios especiais para cada semana. O perfil das crianças e famílias que passam a semana na casa é previamente avaliado. A partir daí, a equipe seleciona e desenvolve pratos adequados para o perfil de cada novo grupo.

Mães, pais e familiares também tiveram oportunidade de aprender o preparo de pratos ricos em nutrientes e sobremesas. O conhecimento gerou fonte de renda para muitas mães. “O nosso projeto conta com mais de 100 receitas e estamos ensinando com muito amor”, afirmou o oficineiro e formando de Gastronomia, Carlos Matos.

Pesquisas – As duas unidades já são referências também para estudos e pesquisas de universidades do país. Para a diretora da Casa de Apoio, a parceria com as instituições de pesquisa permite unir a pesquisa à assistência. Patrícia Sousa, que tem formação em neuropediatria, integra a equipe de pesquisadores que estuda a Síndrome Congênita do Zika Vírus (SCZv) na Universidade Federal do Maranhão.

Um dos avanços foi a aquisição de um retinógrafo, em parceria com a universidade federal. O equipamento é usado para o registro fotográfico do fundo de olho das crianças em tratamento do Zika Vírus, no qual são avaliados nervo ótico e retina.

“O equipamento serve para documentar as alterações oftalmológicas em crianças com SCZv. Contudo, seu uso também foi aberto para todas as outras síndromes ou patologias do sistema nervoso”, pontuou Patrícia Sousa.

Outro avanço foi a inauguração do Ambulatório de Especialidades em Epilepsia na Infância, com capacidade para atender cerca de 250 crianças por mês, com idade entre zero a 12 anos, de 78 municípios do Estado. O atendimento oferece serviços de triagem de epilepsias benignas, as de difícil controle, aquelas de tratamento não medicamentoso e os casos em que poderão ser usadas outras medicações.

O Centro Ninar mantém convênio com universidades maranhenses e a Universidade Mackenzie, de São Paulo, disponibilizando informações para realização de pesquisas. Já a Casa de Apoio recebeu em outubro a visita de 13 pesquisadores de diversas universidades federais do Nordeste, integrantes do comitê constituído para avaliação das propostas dos projetos do prêmio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema).

A diretora científica da Fapema, Silvane Nascimento, ressaltou que o interesse dos pesquisadores foi ver de perto alternativas inovadoras de projetos na área da saúde focadas no monitoramento do desenvolvimento infantil. "Os pesquisadores ficaram muito interessados após diversos comentários sobre o trabalho feito na Casa de Apoio Ninar. As propostas mostram a preocupação dessas pessoas em perceber, observar de perto as alternativas que esses projetos informam sobre a doença no Maranhão".