Famílias atendidas no Centro Ninar e Casa de Apoio apresentam experiência de inclusão escolar de filhos com Down

03 de Janeiro de 2019

Mães atendidas nas duas unidades de saúde falaram sobre evolução no desenvolvimento cognitivo e emocional de crianças com Down durante Encontro de Gestores do Acqua

Estimular o afeto associado à pesquisa e tratamento de crianças com problemas de neurodesenvolvimento tem sido a missão do Centro de Referência em Neurodesenvolvimento, Assistência e Reabilitação de Crianças (Ninar) e Casa de Apoio – unidades de saúde gerenciadas pelo Instituto Acqua em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão (SES). Durante o Encontro de Gestores 2018, realizado na capital maranhense nos dias 13 e 14 de dezembro, a equipe técnica das duas unidades apresentou dados, experiências e o relato de mães atendidas.

As crianças que chegam ao Centro Ninar para tratamento de diversas síndromes, em etapa seguinte, são incluídas no acompanhamento multiprofissional da Casa de Apoio Ninar, junto às famílias, em ambiente de reestruturação emocional e atividades de estimulação a longo prazo.

Em 2018, dois grupos de cinco crianças com Down foram incluídas em escolas de ensino regular, após participarem ao longo de dois anos de atividade de estimulação cognitiva com desenho, pintura e escrita. No evento, os profissionais da unidade de saúde relataram o passo a passo do tratamento até chegar a fase de inclusão das crianças na escola com a experiência que foi chamada de ‘grupinho’.

As mães de Maria Clara, Sara Sebastiana e Eva Maryn – crianças com Down participantes do grupinho – relataram as surpresas que tiveram em cada etapa do processo de desenvolvimento e a alegria de ver as filhas participando da escola regular.

“A experiência no grupinho foi muito importante para minha filha. Quando resolvemos acreditar que ela podia ir para escola regular e ser bem acolhida foi surpreendente porque ela não estranhou o primeiro dia de aula, já sabia pegar bem o lápis, pintar e adorou encontrar outras crianças”, disse Gilcilene Ribeiro, mãe de Maria Clara, 4 anos. A menina está matriculada no Infantil I da escola comunitária Menino Jesus, no bairro da Vila Embratel, em São Luís.

Para o supervisor administrativo do Centro Ninar, Mauro Célio, a prestação de serviços na área de saúde desenvolvidos nas duas unidades vai além do atendimento formal e gera vínculos afetivos entre servidores e usuários. “Muita gente chega ao Ninar com essa expectativa, de saber que serão atendidos com acolhimento e carinho. A dedicação de todos os profissionais torna o ambiente hospitalar humanizado e tudo isso também contribui para permanência e continuidade do tratamento das crianças”, pontuou.

O acolhimento é ampliado na Casa de Apoio. A diretora da unidade, Patrícia Sousa, apresentou a metodologia dos circuitos de vivência, que envolve o atendimento em diversas especialidades médicas, a importância das atividades complementares (musicalização, oficina de culinária, arte-terapia) e destacou o avanço no tratamento com a inauguração do ambulatório de epilepsia na infância. “Os circuitos de vivência têm como propósito estimular as capacidades de desenvolvimento neuropsicomotor das crianças e, sobretudo, de propiciar esse contato entre as famílias, fortalecer os vínculos entre as mães e os filhos”, explicou.

A Casa de Apoio atendeu 320 famílias de crianças com distúrbios do desenvolvimento neuropsicomotor. Casos de paralisia cerebral com microcefalia por infecção congênita, incluindo Zika Vírus, rubéola e toxoplasmose, paralisia cerebral por anoxia, síndromes raras e síndrome de Down.

Tanto pesquisadores de outros estados e países vão a São Luís para conhecer a experiência de tratamento desenvolvida na unidade de saúde quanto profissionais da Casa de Apoio têm compartilhado informações com outras instituições e em reportagens de destaque nacional.

Dados de atendimento – Em 2018, a produtividade da Casa de Apoio foi de 9.674 consultas médicas, entre os meses de janeiro a outubro, nas áreas de neuropediatria, oftalmologia, psiquiatria, pediatria, neurocirurgia e infectologia. Em relação aos exames, foram contabilizados 4.752 atendimentos no mesmo período.

Formada por 54 profissionais, a equipe do Ninar, em 2018, realizou o total de 5.764 consultas especializadas e 26.247 consultas multiprofissionais. Ao todo, foram realizados, também, 2.066 exames de audiologia, 1.650 tomografias computadorizadas e 738 eletroencefalogramas.