UTI Cardiológica Pediátrica do Hospital Dr. Carlos Macieira amplia atendimento a crianças do Maranhão

09 de Novembro de 2018

Setor que conta com nove leitos de UTIs e oito de enfermaria para retaguarda promoveu 27 cirurgias de crianças cardiopatas em três meses de funcionamento

Inaugurada em julho deste ano, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica Cardiológica do Hospital Dr. Carlos Macieira, em São Luís (MA), realizou, em três meses, 27 procedimentos cirúrgicos de crianças com doenças cardíacas congênitas. A Unidade Pediátrica tem diminuído a taxa de mortalidade de pacientes cardiopatas na faixa de idade entre zero e 14 anos no Maranhão. Esse é o resultado da parceria entre Instituto Acqua e Secretaria Estadual da Saúde (SES), que fazem a gestão da unidade.

O atendimento na UTI Pediátrica contribui para reduzir o alto fluxo de crianças que aguardavam por esse tipo de cirurgia, como explica a cardiologista-pediátrica e coordenadora-médica da UTI, Natália Moreira. “A unidade veio suprir uma demanda alta para as outras unidades do Estado que são mistas. Aqui, são feitas cirurgias simples e complexas, com atendimento multidisciplinar que prioriza o cuidado com toda a família num ambiente acolhedor.”

Com nove leitos e oito de enfermaria, a UTI tem capacidade para realizar 15 procedimentos mensais. São cirurgias consideradas de alta complexidade que exigem uma estrutura moderna. “A Unidade Pediátrica é estruturada com equipamentos modernos para realização de exames que avaliam a capacidade de funcionamento do coração e do fluxo sanguíneo. Já fazemos dentro da UTI o ecocardiograma e, em breve, serão realizados exames de hemodinâmica infantil”, pontuou Natália.

Cardiopatia congênita - A primeira cirurgia acompanhada pela equipe da UTI Pediátrica foi uma Persistência do Canal Arterial (PCA), realizada em Ana Luisa Silva Dorneles, 3 anos, dois dias após a inauguração da unidade pediátrica. “Como ela nasceu com problemas respiratórios, achávamos que poderia ser pneumonia. O resultado dos exames deu ‘sopro no coração’ e ela precisaria fazer a cirurgia com até 2 anos de idade”, contou Maria das Graças Aguiar Silva, 29 anos, mãe da menina.

A expectativa dos familiares em cada cirurgia é acompanhada por equipe médica multidisciplinar que garante preparação emocional e física para o período pré e pós-operatório. “O ambiente é bastante acolhedor, com espaço privado para os pacientes, leito e banheiro individual, decoração infantil e brinquedoteca. Todas as fases das cirurgias são dialogadas com os pais e as crianças de forma bem didática, e vamos estabelecendo essa aproximação para que o paciente tenha confiança até o leito do centro cirúrgico junto com o acompanhante para que ela não se sinta abandonada”, finalizou a médica intensivista-pediátrica, Ilana Abreu.

Outro tipo de cardiopatia já atendida na unidade foi o caso do menino Alison de Sousa Bastos, 13 anos, que passou por uma cirurgia de “Dupla Troca Valvar”, uma intervenção realizada nas válvulas mitral e aórtica que enviam o sangue para o corpo. Febres e inflamação na garganta fizeram Leonice de Sousa Bastos, mãe de Alison, procurar ajuda médica para o filho em Santa Inês. O pediatra recomendou exames cardiológicos e ele foi encaminhado ao HCM. Em 25 de setembro, a criança teve alta e foi o 19º paciente atendido pela UTI Cardiológica Pediátrica.

Em dois meses de convivência no hospital, Alison recuperou o coração e também fez amizades dentro da UTI. Também projetou um futuro profissional na área de psicologia e em 23 de julho foi presenteado com um bolo de aniversário pela equipe do HCM. Antes da cirurgia, também teve realizado o sonho de conhecer o mar e agora a expectativa é reencontrar a família na cidade de Santa Luzia do Tide. “Aqui no hospital fomos muito bem atendidos, mas eu sinto muita saudade dos meus irmãos, do meu pai, da minha avó. Depois da cirurgia eu sinto que meu coração não palpita mais tão forte como era antes, agora ele tá normal”, pontuou Alison.